Explode!
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Plataforma que pesquisa e experimenta noções de gênero, raça e classe, a partir de práticas artísticas e culturais socialmente percebidas como periféricas. Atua junto de uma rede nacional e internacional, liderada pelos artistas, pesquisadores e curadores Cláudio Bueno e João Simões. Dentre as principais atividades realizadas, conforme descritas a seguir, estão: Explode! Residency; Explode! Motumbá; Explode! Rainbow Riots e Ataque! (junto de inúmeros colaboradores).

Explode! Residency, 2016 (ago-set)


Vídeo gerado durante uma batalha de Vogue na residência

Trailer do minidocumentário Cidade Queer, que teve a Residência Explode! como um de seus principais eventos


Sobre

Imersão de onze dias (entre 23 de agosto e 02 de setembro de 2016), em uma casa na zona leste de São Paulo, localizada na Vila Nova York. Entre residentes e convidados pontuais, participaram inúmeros artistas e pesquisadores que problematizam noções de gênero, classe, raça, pedagogia e imigração, além do coletivo Ultra-red de Nova York, representado por Michael Roberson e Robert Sember.

- Site do evento Cidade Queer, com a programação da Residência Explode!

+ Abaixo um texto completo publicado no livro:
CIDADE QUEER, UMA LEITORA. Edições Aurora: São Paulo, 2017.


Explode! Residency: from a safe space to a brave space
Explode! Residency: de um espaço de segurança a um espaço de coragem

Por Cláudio Bueno e João Simões com participantes da Explode! Residency: Aretha Sadick, Aline Scátola, Cadu Oliveira, Daniela Mattos, Danila Bustamante, Ézio Rosa, Felix Pimenta, Jo Gada, Lee Ann Norman, Mavi Veloso, Michael Roberson, Nega (Raquel Blaque), Nube Abe, Paulo Scharlach, Pony Zion, Raphael Daibert, Robert Sember, Shawn Van Sluys, Tiago Guimarães, Todd Lester, Yeti Agnew.

Não ter sido oficialmente convidada para a residência, e sim ter ido acompanhando um amigo convidado [Ezio Rosa] num lugar que também era novo pra ele, se apresenta para mim como os nossos corpos precisam ainda ocupar alguns espaços. Como ainda para nossos corpos pretos, pobres, afeminadas temos que estar num movimento de nos inserirmos em lugares que hegemonicamente são brancos, causando e sendo desconforto. Podemos tentar pensar sobre isso a partir das questões que tivemos de comunicação na residência com a necessidade de tradução, porque nem todos tínhamos domínio do inglês. Eu ouvi muito mais do que falei na residência. Por conta da necessidade da tradução ouvi duas vezes, em inglês e depois em português, e esse exercício de escuta duplicada foi extremamente cansativo e interessante, foi como se estivessem ratificando o dito, ou também como numa leitura difícil a gente precisa reler mais de uma vez pra conseguir entender. Ouvir mais de uma vez e depois falar pausadamente para ser compreendida não é um hábito do sujeito contemporâneo. A pergunta que me faço é: como resistir às imposições de uma língua colonizadora? Como não se permitir dominar pelas ferramentas dos dominadores, sem se excluir dos lugares dominados por eles? Jo Gada (1991, Niterói, RJ)

Explode! Residency foi uma imersão-residência de onze dias (entre 23 de agosto e 02 de setembro de 2016), em uma casa na zona leste de São Paulo, localizada na Vila Nova York, onde morou Cláudio Bueno até os 22 anos e seus pais até 4 anos atrás. Bueno é cocurador do evento junto com João Simões, em colaboração com a plataforma Cidade Queer, um projeto de Lanchonete.org e Musagetes.

Nesse local, há 20km do centro da cidade, esteve reunida uma comunidade de artistas visuais, performers, dançarinxs, agentes culturais, militantes e pesquisadorxs, engajadxs em pensar e apresentar, a partir dessa zona autônoma temporária, as potências desses corpos periféricos urbanos, dispostos a assumir com suas ideias e presenças, o protagonismo e a transformação do mundo atual, especialmente no contexto brasileiro, tomado por retrocessos, conservadorismos e violência.

Além dos encontros públicos que atravessaram a residência, com diferentes falas sobre corpos, periferias, gênero, sexualidade, migração, dança, colonialidade e aprendizagem, estiveram conosco, compartilhando sua metodologia de escuta, os integrantes do grupo norte americano Ultra-red. Com uma pesquisa baseada no som e no mapeamento de espaços acústicos como enunciativo de histórias e relações sociais, nos trouxeram a intensificação da perspectiva política dos sons. Esse grupo de artistas-ativistas militam por questões raciais, de migração, desenvolvimento participativo de comunidades e criação de políticas HIV/AIDS.

Entre os sons noturnos do bairro – do ladrão de galinhas no telhado ou do tiro seco do trêsoitão –, dançamos diferentes estilos musicais de contestação, de resistência e de luta. Músicas que potencializam corpos negros, feministas, não-binários, transgêneros, gays, pobres, latinos, etc – como o vogue (enfatizado nesse período pela presença do legendary icon Pony Zion e do brasileiro Felix Pimenta) – além do funk carioca, do hiphop, do samba e outros. Caminhamos pelo entorno da casa, nos colocamos no bairro, dançamos na rua e partilhamos de uma longa conversa e escuta.

Acreditamos nesse processo imersivo e num modo de aprendizagem baseado na escuta, como intensificadores de uma longa conversa e debate, capazes de desencadear as questões mais profundas e urgentes a nós. Vislumbramos na escuta, a possibilidade de se produzir um saber que passa pelo corpo, que não repete (ou repetiria em menor grau) o já sabido de antemão. Dessa forma, talvez seja possível, em alguma medida, se pensar na descolonização dos conhecimentos e imaginar mundos, corpos e vivências outras.

Se a noção de casa remete idealmente a um local físico de acolhimento e pertencimento, buscamos instaurar bases para um espaço de segurança e intimidade que guardasse a potência e a braveza de também acontecer no mundo, local mais suscetível aos conflitos e aos embates frente às diferenças, uma casa-mundo, sem paredes. As ideias compartilhadas nesse espaço fechado podem agora contaminar outras pessoas e potencializar novos encontros, corpos, afetos, sensibilidades, políticas e ativações para fora dessa situação e localização temporária e específica.

Traduzir aqui algo vivido na intensidade de uma experiência direta do corpo e dos diálogos mais íntimos entre um grupo de pessoas, somente poderia ocorrer na pluralidade de visões-escutas-falas-escritas-vozes de cada um dos participantes. Para tanto, perguntamos a todxs, como nos perguntaram os membros do Ultra-red, Michal Roberson e Robert Sember, ao longo de toda a residência, sempre após uma caminhada ou conteúdos compartilhados na sala de casa: What did you hear? O que vocês escutaram?

Aretha Sadick Meu nome de registro é Robson Rozza, mas pode me chamar de Aretha. Tenho 27 anos, sou ator, atriz, performer e designer de moda. Eu vim para cá [Explode! Residency] pela minha pesquisa dessa imagem, dessa identidade negra, dessa performatividade do trânsito do masculino para o feminino; pelo meu engajamento e pela consciência que eu estou criando, que não é estável. E por essa experiência com a residência também, essa oportunidade de passar um tempo junto. Um recorte que é maravilhoso e ao mesmo tempo muito bruto, de sair de seu cotidiano e estar com outras pessoas, dormir e acordar com elas, beber, comer e etc. // Onde mora a força? Eu brinco com as pessoas quando elas perguntam “Você está bem?” e hoje em dia eu falo “Eu estou viva”. E é isso, é se manter viva num lugar assim, nesse mundo. Viva em todos os aspectos, não só fisicamente, mas emocionalmente, intelectualmente, esteticamente. Então, a força hoje em dia, eu a entendo como esse lugar de estar viva. Pessoas como eu tem que pensar duas ou três vezes na decisão de ir a determinados lugares ou não ir. A força está no lugar dessa vida de (escolher) onde dizem que eu não devo ir, mas eu vou e como vou. E eu vou para manter minha presença viva nesse lugar. É um esforço, precisa de muito trabalho, físico, emocional e mental. Mas acho que a força mora nisso e também nesse lugar que eu vejo: de pessoas como eu, que vieram do mesmo lugar que eu. De conseguir trabalhar todo dia para continuar enxergando esse lugar que pessoas como eu não podem transitar de maneira mais livre. Aqui [na Explode Residency] eu reforcei essas percepções. Tem horas que a gente fica pensando “Eu estou meio louca, né? Fico acreditando em coisas que várias outras pessoas não acreditam. Que não faz sentido”. Então é bom encontrar os pares, encontrar os comuns, as pessoas que também acreditam nisso. E você olha para pessoas como você e pensa “Ai que bom. Eu não estou só nessa caminhada. Não é uma loucura minha”. Porque é isso, a gente começa a questionar tudo, todas as coisas, como elas estão organizadas. Estar aqui foi reforçar esses pensamentos e ver que eu não estou vislumbrando esse lugar para pessoas como eu, que não estou sozinha, existem outras pessoas como eu querendo construir esse lugar. Não só vislumbrando, mas construindo; pessoas construindo junto. E foi isso, intenso. Para mim as palavras são intensidade e cura. Porque como falei em outro momento, essas dores e esse peso que eu senti e levei na oportunidade que tive de sair da casa e voltar, e ver isso curado – foi posto para fora, foi discutido com outras pessoas, foi compartilhado. Uma cura intensa. Não tem cura sem dor. Não tem como curar sem doer. A dor e a cura estão interligadas.

Aline Scátola vi resistência, força e criatividade. ouvi expressividades que celebram origens, ultrapassam linguagens e transbordam territórios. senti o acolhimento de dores e delícias, a potência das agências, a força de quereres, a grandeza das existências. todo corpo é político, herético e divino.

Cadu (LaBeija) Oliveira A primeira coisa que me impressionou em minha experiência na Explode! Residency foi o número de pessoas negras e a diversidade existente dentro desse grupo, não só de nacionalidades, mas de vivências e de gênero. Infelizmente, é raro estarmos juntos em número significativo em ambientes produtores de arte e conhecimento que não sejam exclusivos de discussão étnica. Conhecer a cultura Vogue, aproximar-me dela e descobrir no Ball Room um "templo", foram imagens emocionantes sobre o sentimento de pertencimento e de celebração das identidades, e que me remetem diretamente ao "fervo também é luta" e ao "corpo livre" que temos como diretrizes na Revolta Da Lâmpada. É evidente a influência que existe em ser parte de um povo marginalizado e excluído, e isso criou em mim uma empatia tamanha que muitas vezes ouvir Michael, Lee Ann ou Ponny trazia uma sintonia muito próxima a dos papos com Aretha, Jo Gada, Ezio ou Felix, existia para além da língua um elo tão forte que quando na aula de Vogue, Ponny propôs o DropDead, fiz sem pensar duas vezes, embora fosse algo de realização inimaginável para mim antes disso. Estávamos em um ambiente seguro de aprendizado e experimentações onde as possibilidades eram infinitas, isso nos colocou em contato com assuntos importantes como a infecção do HIV na população preta, questões de gênero e sexualidade, a situação dos refugiados e, mesmo, de enxergar nosso país por meio do olhar dos companheiros de outros países com toda sua beleza, sons e particularidades. A produção artística estava efervescente em nossos corpos, performances, registros, festas e na comida da Nega. Eu venho trilhando um caminho de auto conhecimento intenso e profundo com a Comunicação Não Violenta, círculos de convivência e as performances de gênero, por isso minha gratidão é imensa a todos os presentes e realizadores em poder colocar essa residência entre essas práticas transformadoras. A imersão na Explode! Residency foi muito potente, porque trouxe trocas genuínas e marcantes com pessoas admiráveis que se tornaram um círculo generoso de convívio. Embora o Brasil tenha em sua população uma expressiva maioria de pretos e pardos, é muito difícil num espaço de arte e conhecimento estarmos, nós negros, tão amplamente representados. Representatividade importa, transforma e fortalece.


Daniela Mattos O afeto se destacou entre as coisas leves e pesadas que compartilhamos, desfizemos binarismos, empatizamos entre nós... de fato, convivemos.

Danila Bustamante Em meio a intensidade das cores, a potência de cada diferente, o drama coletivo e um condensado de histórias muito mais que reais: eu vi, eu me vi e me viram. Essa conexão explosiva brilhou ainda mais as minhas questões sobre qual é a imagem feminina que passamos adiante, qual existência e visibilidade é real em um corpo em movimento.

Ézio Rosa Pela primeira vez na história deste país (rs) tive a minha arte reconhecida em um destes espaços que sempre se mostrou tão distante da minha realidade periférica. Eu era uma das poucas pessoas que precisavam de tradução, e após muitos apontamentos, críticas e acordos, conseguimos juntos identificar e resolver este ponto que é o processo de descolonização dos saberes. Durante a residência, eu e a minha mana Jogada Away ocupamos um cômodo da casa que era semelhante a um aquário, e como partimos de um lugar de fala parecido, performamos juntos por cerca de seis ou sete horas. O trabalho se chama CUIDA DO BLACK! E nesta performance eu trançava o black de Jô, enquanto escrevíamos nos vidros da sala sobre o processo, e neste momento me caiu a ficha de que arte é essa. Esta, é a arte periférica, e que embora invisibilizada o tempo todo nos espaços das belas artes, grita a plenos pulmões pelo seu direito de existir. A residência me trouxe muitas reflexões profundas, mas de fato o que ficou, é a força para lutar e criar minha própria narrativa, com essa arte que se cansou de pedir licença para ser e estar. Eu existo, nós existimos.

Félix Pimenta Sobre a vivência no explode, foi muito importante sentir a necessidade de escuta. Escutar e vivenciar todas as histórias, principalmente saber que eu não estou sozinho, que as histórias são muito parecidas, criando assim muitas conexões – e a partir dessa experiência poder criar muitas outras coisas juntxs, e nós estamos criando!

Jo Gada A residência foi toda preenchida por uma arte de resistência queer, o banheiro vira um estúdio fotográfico de closes monstruosos, da cozinha saiu obras de arte que nos alimentaram com o que normalmente iria pro lixo, e no aquário de vidro que tinha no quarto trançamos afetos, desenhamos um mural de emoções, rabiscamos nossas contradições, e queimamos nossa consciência colonizada.

Mavi Veloso acolhida respeito conflito guerrilha raiva revolta busca de força energizar-se no colo do semelhante diferente cada com sua bruta cada um tem sua luta interna com semelhantes com seus diversos causas absurdamente ainda injustiçadas pela dificuldade e pela diferença afetividade generosa intimidade rainhas compartilham tronos todas queens batem cabelos e tranças ainda há reviravoltas, tem gente querendo puxar nossa tapete mas isso não vai acontecer.

Paulo Scharlach Conforme passavam as horas, que mais pareciam dias, dentro da casa na Vila Nova York, compartilhando refeições, idéias, tristezas, felicidades, histórias passadas, desejos futuros, euforias e cansaços muitos; compartilhando vidas completas que a gente nem imaginava que poderiam caber em tão poucos dias, e estar tão conectadas, senti a possibilidade real de existência na sua mais plena forma. Me senti acolhido para apenas ser e ser em conjunto, em sociedade. Mesmo que por um instante, num exemplo tão específico e curto de sociedade, essa foi transformadora e fortalecedora para seguir existindo com mais orgulho, felicidade e tranquilidade de ser quem a gente sente que deve ser. Diferente de tantas outras vezes na vida que tivemos, ou sentimos que tínhamos que mudar nossa forma de existência para não incomodar ao mundo e com isso acabávamos nos matando um pouco. Alí multiplicamos vida. Em resumo: Senti a possibilidade real de existir além do resistir, de ser diferente e poder compartilhar sem medo, de apenas escutar e sentir-se pleno na minha contribuição social sem ter que dizer algo. Vi as experiências e as sensações se multiplicarem, vi a vida se multiplicar.

Raphael Daibert senti expansão. pluralidade. a força na diferença, nas (diversas) histórias, sejam elas pessoais ou parte da dita história. ouvi possibilidades, vontade de encontrar um espaço (político, físico, social) que comporte todxs nós. vi força e vi coragem de (r)existir.

Tiago Guiness Difícil dizer o que foi a Explode porque a forte experiência vivida ainda parece operar atualmente em mim. As questões ressurgem e eu sou transportado de volta para a Vila Nova Iorque. De qualquer forma, acredito ter expandido a ideia de diversidade a partir da troca e convivência com os outros residentes.

Nega (Raquel Blaque) Ouvi, vi = SEMTI que quem tem potência é exposto e que não devemos fugir disso seja por proteção ou por combate, nos apresentamos como seres potentes que somos, enquanto militante anti indústria fugia de super exposição de expressão, na Explode ouvi muito sobre o protagonismo negro e trans antes da indústria cultural, o quanto e quando comportamentos foram criados por nós me fez desabrochar e ver que a gente se reprime mesmo que por combate, eu reprimia comportamentos que eram internos achando que eram de cultura colonizadora. Aos 37 anos me vi fugindo de mim, achando que boicotava a indústria cultural e descobri que é ela quem nos copia. A partir desta libertação aprendi a me expor como sou, explicitar, ocupar espaços de fala e de auto exposição. Passos para frente e para os lados e especialmente para o alto e avante. Caminho, danço, cozinho e falo ocupando a calçada, e sou livre, meu cabelo é escultural e minha voz é ancestral e ponta de lança. Em resumo: Senti almas além de gênero generosas, recaptulei-me e saí exaltada em corpo físico e alma avançam e alavancam em expressões de potência e desmaculação de expressões. Dramas duros e corações moles, conversas longas e alongamentos físicos, montagem compartilhada de desejos e utopias sociais, aprofundamentos estruturais de comunizações fundamentais. mulheres polivalentes em tetas adolescentes em vogues eloquentes em memórias transcendentes em dores convalescentes em lutas subsequentes em forças supra potentes.

Nube Abe talvez seja tarde demais, desculpa, mas de qualquer forma mando esse áudio. Eu tive esse período de bloqueio, eu passei por esse momento de bloqueio do explode porque é lembrar de muita informação, muito excesso e não saber muito o que fazer com isso, mas agora estou desbloqueando e lembrando novamente como foi maravilhoso. Eu sentava para escrever e as memórias eram tão intensas e fortes e me ocorriam lembranças das minhas crises da época e eu parava de escrever. O Explode foi muito forte pra mim, muito intenso, muitos aprendizados, foi muito importante ouvir tanta gente falando sobre suas vivências, foi muito potente, eu escutei muitas realidades, muito close, ao mesmo tempo em que eu estava num momento muito difícil de introspecção, mas eu não estava conseguindo me escutar e perceber que estava precisando desse momento. E pensar que estávamos falando de escuta mas como seria possível silenciar em um grupo tão grande e com tanta energia e tanta coisa para falar. Eu acho que se for pensar em próximo Explode, pensar que muita coisa foi falada e escutada, mas sempre existe mais para escutar. Uma coisa mais sensível. Não sei o que é exatamente, mas que podemos escutar mais do que já estamos escutando. Como escutar o que não é palavra. Como escutar o que não é som.

Yeti Agnew I heard a lot of Portuguese and a lot of English (which was very much appreciated by me) and very kind of all the bilingual people there.
I was most impressed by the tangible support shown to others from braiding hair and applying make-up, to providing respectful feedback and encouragement and ensuring that everyone was comfortable and well fed.
I experienced a wonderful group of people who listened and shared exceptionally well: who could speak hard truth with love and compassion; who lavished affection on each other; and who, on occasion, courageously dared to expose their very souls to one another.
BRAVO!

Lee Ann Norman A beginning . . . a sincere effort to move beyond the surface things like numbers, ratios, representation, but to begin rethinking how people hold space with others . . . the difficult work of facing intersections, expressing empathy for positions that may be difficult to understand or foreign to you . . . plunging into difficult vulnerabilities.

Michael Roberson
“The Black homosexual is hard pressed to gain audience among his heterosexual brothers; even if he is more talented, he is inhibited by his silence or his admissions. This is what the race has depended on in being able to erase homosexuality from our recorded history. The "chosen" history. But the sacred constructions of silence are futile exercises in denial. We will not go away with our issues of sexuality. We are coming home. It is not enough to tell us that one was a brilliant poet, scientist, educator, or rebel. Whom did he love? It makes a difference. I can't become a whole man simply on what is fed to me: watered-down versions of Black life in America. I need the ass-splitting truth to be told, so I will have something pure to emulate, a reason to remain loyal.”, Essex Hemphill

It’s an interesting theology, the destruction of black gay men. Wondering when will we get the message about self -love, self- acceptance. The gaps and space we put between us, they seem to eat our souls. My belief is that we are looking to connect to another soul, to commune on a more meaningful level, more than mere surface. There seems to be so many things that play against us. We have been taught that our very existence is not valuable, have no worth, that the supreme, divine being that we serve views us as an abomination. We have theologically been situated outside the Image of GOD, Imago Dei-The Doctrine, and that our love making, to each other, with ourselves, is deviant. How could we ever see ourselves as having value, of being important and significant, that our lives expand more than just the physical, that our spiritual selves connected to this universe is asking and begging to be fed and that can mostly come from our selves healed in a love existing already and innately within. I have been searching for so long, seems like eternity, to find that other, those many who feel and bleed the same sentiments, whose journey is fulfilled never because our lives don’t end at 20 or 21 Or 30, and we can see ourselves living and breathing and exploring and exploding in loving and nurturing ways. Our past is not in the haphazard but as ordained as the day John baptized the Christ, they call him Jesus. I have been searching for a cleansing that only comes from holy ghost, no not in the ways we have been Christianized, yet through my commune with God, cleansed of a past that haunts me even 49 years into my continuum. There seems to be the absence of men who stayed in the fight, who didn’t quit the process when things got hard and difficult seemed, whose political, divine, erotic occupation lies deep within our material bodies. I have learned that deepness of my sensuality is in the ontology of my intersected sexuality; it has carved out a piece of my subconscious that my universe has a striking resemblance. The men who fought the good fight, who had the courage to look fear in its face, acknowledge it, and still, stand and fight for love, for life, for the freedom to love, to love honestly, unapologetic, are the ancestors to my liberation. They are my my own personal epistemology. They helped me to self-determine that men don’t leave but they show up and do the work. They create the nexus to our past and future lives so that we can live peacefully in the presence, and disrupts this notion about the deviance in me loving men. How do we honor ourselves when we have been taught there is no honor in men who love other men, that our lives has been denigrated and objectified through the means of sex? How do we get up every day, take breath, look into the mirror and feel love as reflections of all that is holy and perfect, for we were truly made out of his majestic thought, by GOD’s infinite hand, through GOD’s undying and unconditional love. When do we get to that magical moment, of realization that our biggest threat is not a pandemic of infectious disease, it us our belief in messages that serve us no purpose but to destroy our minds, detriment our spirit, devalue our souls, so that we become spiritually, politically, collectively impotent. Well, today, in this moment, this space, this time, through skies of yesterday, to the clouds that appear when our sun has been dampened, when tomorrow only comes in dreams manifested by anger, the healing has to begin. We have to be willing, to look at self, in the face, and begin the process, and release all those chains that keep us in what feels like an eternal abyss of dismay and disenfranchised memory. Now is the cry from the distant winds that all those things we use to self-medicate our soul, those things that leave indelible marks of pain and misery, of self destruction in longevity on our spirits have to be let go, never to return, for this is a time of a universal paradigm shift, a shift in collective light, new consciousness, cooperative harmonious peace, and one love. It’s in the air. Let’s grab hold for dear life and release back to the universe, for the real truth, love has always been here, in our face, begging us to open and receive, it is our gift from God. Ashe

Foi no encontro e cruzamento dessas pessoas, saberes e lutas, que se deu a Explode! Residency, um acontecimento único, que jamais poderia se repetir da mesma forma, pois agora, já somos outrxs, TRANSformadxs.

A residência Explode criou contexto para o evento subsequente denominado Ataque! – uma ball internacional realizada na Praça das Artes, em São Paulo.



Explode! Rainbow Riots, 2017, com UMLILO & Stash Crew


Umzabalazo, em Zulu, quer dizer luta, greve, revolução! O videoclipe revisita locais de manifestações estudantis em Johannesburg e critica um ativismo exclusivamente online.


Foto: Participantes do cortejo realizado até o cemitério da consolação, durante o workshop A Revolta do Arco-Íris, a fim de homenagear a travesti Andrea de Mayo, que teve seu nome social recentemente anexado à sua lápide. Fotos: Carol Godefroid


Sobre

Como parte da criação de uma rede de colaboração internacional entre artistas, performers e pesquisadores, a plataforma Explode, em parceria com o Sesc, trouxe ao Brasil a artista UMLILO e o duo Stash Crew. Os artistas apresentaram seu projeto intitulado Rainbow Riots, para discutir políticas do corpo queer e seus desdobramentos sobre raça, classe e identidade, a partir de contextos conservadores como o da África do Sul atual.

Xs artistas realizaram dois shows em São Paulo, no Sesc Belenzinho, no dia 28/04 – com a participação de Gloria Groove – e no Sesc Itaquera, no dia 29/04. Além disso ofereceram um workshop de cinco dias no Sesc Santana, entre 01 e 05 de maio, num grupo potente que pensou essas questões desde uma perspectiva simultaneamente local (SP, Brasil, maio de 2017) e das possíveis conexões de nossas lutas pensadas globalmente.

Como cenas tão particulares como a sul-africana e a brasileira podem conversar e podem propor juntas novos processos, pensamentos, sensibilidades, ações e revoluções, a partir de corpos outros, desviantes, não normativos? Como podemos aprofundar nossas questões, aquelas que não podemos falar durante os shows, nem mesmo num seminário, convivendo por cinco dias de criação num espaço e tempo de maior intimidade e duração?

Nos links abaixo você acessa a descrição completa sobre cada programação:

Show no Sesc Itaquera: https://www.sescsp.org.br/programacao/118549_UMLILO
Show no Sesc Belenzinho: https://www.sescsp.org.br/programacao/118441_UMLILO
Workshop no Sesc Santana: https://www.sescsp.org.br/prog…/118662_A+REVOLTA+DO+ARCOIRIS

Acreditamos que única maneira de nos fortalecermos na luta seja estarmos juntxs!

Show Umlilo & Stash Crew, Sesc Belenzinho.
Foto: Nube Abe

Show Gloria Groove com Umlilo & Stash Crew, no Sesc Belenzinho. Foto: Nube Abe. 28.abr.2017

Umlilo & Stash Crew, com Gloria Groove, após o show no Sesc Belenzinho. 28.abr.2017. Foto: Nube Abe





Umlilo, por Stuart Hendricks

Explode! Motumbá

A plataforma Explode, representada por Cláudio Bueno e João Simões, foi convidada a realizar o recorte curatorial LGBTQ+ da mostra Motumbá: memórias e existências negras, que aconteceu entre o final de 2016 e o início de 2017 no Sesc Belenzinho, em São Paulo. Foram programadas atividades como: TranSarau, Miniball, performances, shows e outras atividades. Em breve, mais informações.

MINIBALL Motumbá – um dos eventos que compunha a programação. Fotos: Leandro Moraes







Página do evento no facebook com galerias de imagens:
https://www.facebook.com/events/222622024879174/



TRANSarau
https://www.facebook.com/TRANSarau

Como parte da Mostra Motumbá - Memórias e Existências Negras, o evento contou com a presença de mais de 300 pessoas e mais de 20 participações incríveis no palco. Espaço de representatividade da população LGBTQI+, negra e periférica, o evento ocupou a comedoria da unidade do SESC com música, poesia, lacração e intervenções poderosas. A edição ainda contou com a participação de Danna Lisboa e Liniker Barros, que encerrou a noite com uma performance voz e violão. Fotos: Nathalia Moraes. Essa sexta edição do TRANSarau foi realizada em parceria com a Invisíveis Produções e o SESC.